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sábado, 6 de dezembro de 2014

Transtorno de Ansiedade: maior risco de suicídio?

Por Lívia Calastri e Sabline Rodrigues.

O comportamento suicida vem ganhando impulso em termos numéricos e, principalmente, de impacto, sendo que nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos). Tanto que na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte e em indivíduos entre 15 e 44 anos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.

Um dos prováveis motivos para isso é a mudança sociocultural que vem ocorrendo no mundo desde as Revoluções Industriais, exacerbada com o advento da internet e da globalização, as quais causaram grandes alterações no cotidiano das famílias e do indivíduo, trazendo um volume muito maior de informações, oportunidades, benefícios e, ao mesmo tempo, novas responsabilidades, deveres e obrigações.

O uso de antidepressivos pode aumentar o risco de suicídios?

Por Amanda Lage Alves, Rafael de Matos Tavares e Pedro Henrique Machado.

Fármacos e efeitos colaterais estão intimamente relacionados. Não podemos negar os benefícios que as drogas farmacêuticas trouxeram para nossa sociedade. No entanto, temos seus efeitos adversos atrelados. O controle do custo-benefício para a saúde do paciente é controlado primeiramente pelas agências reguladoras. Elas analisam se os fármacos são mais benéficos do que prejudiciais e autorizam sua venda comercial. Além desse papel de liberar a comercialização, elas também são responsáveis em exigir dos fabricantes a seguirem alguns parâmetros de transparência, como, por exemplo, alertar ao consumidor os possíveis efeitos colaterais de seu produto.

Em 2004 a FDA (Food and Drug Administration) regulamentou que os antidepressivos deveriam apresentar em seu rótulo um novo aviso, em uma caixa de texto preta, avisando aos consumidores que esses fármacos eram responsáveis pelo aumento do pensamento, sentimento e comportamento suicida em jovens. Essa nova regulamentação despertou o questionamento de inúmeras pessoas do meio médico, pois esse aviso poderia desencorajar pessoas deprimidas a procurarem ajuda e, também, os médicos a prescreverem tais medicamentos. Sendo assim, uma medida que poderia ser mais danosa à sociedade do que benéfica, pois indivíduos que necessitam de apoio ficariam desamparados e, portanto, mais vulneráveis ao risco de suicídio. Agora, passados 10 anos dessa medida, quais foram seus efeitos? As taxas de suicídio aumentaram ou decaíram? O taxas de detecção e tratamento de quadros depressivos se alteraram?

As possibilidades de associação entre transtornos mentais e criatividade

Por Aloisio Romanelli e Gabriel Costa.

Muitos pesquisadores buscaram compreender as associações entre desordens psíquicas e a criatividade; a partir de seus estudos eles proporcionaram alguma evidência empírica dessa associação, sobretudo quando concentravam-se em esquizofrenia e transtorno bipolar. No entanto, os estudos anteriores geralmente são dificultados por fatores como as pequenas coortes, a falta de instrumentos padronizados para avaliar-se a criatividade e o uso restrito de biografias como meio de estabelecer diagnósticos. Nesse sentido o artigo “Mental illness, suicide and creativity: 40-Year prospective total population study” objetivou construir um método plausível de investigação dessa temática, fazendo-o através de um amplo estudo de caso-controle.
    Na pesquisa foram investigados 65.589 pacientes suecos, no período de 1973 a 2009, diagnosticados com o auxílio do Registro Nacional de Pacientes nos seguintes grupos: esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, transtorno bipolar, depressão unipolar, transtorno de ansiedade, abuso de álcool, abuso de outras drogas, autismo, desordem de hiperatividade e déficit de atenção, anorexia nervosa e, por fim, indivíduos que cometeram suicídio. Procurou-se, ainda, a presença desses transtornos nos parentes de primeiro, segundo e terceiro graus dos pacientes. Definiu-se como critério de criatividade o exercício de ocupações com caráter artístico ou científico e enquadraram-se os autores em um grupo separado. Ao final do estudo, a partir da comparação com os controles, não foi encontrada nenhuma associação positiva entre psicopatologia e ocupações criativas, exceto para o transtorno bipolar. De outro modo,
indivíduos que ocupavam profissões criativas possuíam reduzida probabilidade de serem diagnosticados com os transtornos mencionados, excetuando-se o bipolar; e apresentavam uma menor chance de cometerem suicídio. Já os autores sofriam de esquizofrenia e transtorno bipolar mais do que duas vezes os controles; eles também foram mais propensos a terem diagnóstico de depressão unipolar, transtornos de ansiedade, abuso de álcool, abuso de outras drogas e cometerem suicídio. Além disso, os resultados indicaram que os familiares de indivíduos criativos tinham mais chance de apresentar esquizofrenia, transtorno bipolar, anorexia nervosa e autismo.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Um "rito de passagem" perigoso: consequências psicopatológicas do bullying

Por Ana Clara da Cunha Gomes e Jéssica Ferreira Barbieri

Bullying é um tema que vem despertando cada vez mais o interesse de pais, professores e profissionais da saúde. É um termo usado para qualificar comportamentos

agressivos entre alunos no âmbito escolar e caracteriza-se por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Pode ser dividido em quatro categorias: físico, verbal, relacional e o sexual. Há ainda o cyberbullying, que ocorre através de mensagens e comentários em redes sociais na internet. Nesses casos a vítima é perseguida mesmo fora da escola e muitas vezes os perpetradores do bullying usam o ambiente virtual para se manterem anônimos. Pesquisas mostram indícios de bullying desde 1960, porém era denominado assédio moral (“mobbing”) e caracterizado como agressão coletiva contra outros da mesma espécie.

Pesquisas de intervenção sistemática começaram quando três garotos se suicidaram em um curto intervalo de tempo na Noruega, todos deixando anotações de que tinham sofrido bullying por seus colegas. Desde então, acredita-se que ser vítima de bullying aumenta o risco de depressão, sintomas psicóticos, ideação suicida e tentativas de suicídio, problemas de saúde, de comportamento, emocionais e de rendimento escolar. Ainda assim, é bastante popular a opinião que bullying 'constrói caráter', é um 'rito de passagem' e 'aumenta a resistência' do indivíduo para enfrentar os desafios da vida adulta.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013

De médico e louco... Todo residente tem um pouco

Por Gabriela Agostini, Franciéli Schäffer e Fernanda Menezes.

Sabidamente, a rotina dos estudantes da área da saúde, especialmente os de medicina, é estressante. Muito estudo, faculdade em período integral (o que mantém a maioria dos estudantes dependente dos pais por mais tempo), noites em claro, além de, obviamente, começar a lidar com situações de perda, doença, sofrimento e morte. Até aí, nenhuma novidade. O que pesquisas revelaram recentemente é que o ambiente em que se inserem os estudantes e residentes da área da saúde como um todo favorece a ocorrência dos transtornos mentais comuns (TMC), levando-os a ser um grupo de maior risco de adoecimento mental.
Para entender um pouco melhor o assunto, é preciso explicar o que são os TMC. Na década de 70, Goldberg e Huxley cunharam a expressão “transtornos mentais comuns” para se referir a sintomas como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas. Apesar de, inicialmente, não apresentarem gravidade significativa, os TMC estão relacionados aos transtornos de ansiedade, somatização e depressão sem sintomas psicóticos, podendo ter relação com a incapacidade e a ausência no trabalho.
terça-feira, 4 de junho de 2013

Religião e Saúde Mental


Por Gregório Victor Rodrigues.

A religiosidade é algo que está determinantemente implicada na psicopatologia e na terapêutica dos muitos transtornos. Muitos são os pacientes que relatam suas histórias de sofrimento e culpabilização ou fervor e esperança religiosas. O interesse científico sobre a relação entre religião e psiquiatria é crescente, como mostra o crescimento vertiginoso no número de publicações sobre o assunto.

Número de estudos no site de busca científica PubMed para a pesquisa ‘’religion and health’’.

Percebendo, pois, esse fato e, sob a perspectiva científica, querendo investigar alguma relação subjacente da variável religiosidade, alguns cientistas têm se atentado para a questão. É o caso de Harold G. Koening, eminente médico psiquiatra da Duke University Medical Center, e um dos autores do artigo "Longitudinal Relationships of Religion with Posttreatment Depression Severity in Older Psychiatric Patients: Evidence of Direct and Indirect Effects".


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Depressão e ansiedade podem estar relacionadas ao desenvolvimento de aterosclerose

Por Fellype Borges e Hary Kalapothakis Gissoni

As doenças cardiovasculares constituem em conjunto a principal causa de mortes em países de média e alta renda. Diversos fatores estão relacionados com a origem de tais doenças, correspondendo a uma associação do ambiente e da expressão genômica. A perda da complacência arterial tem papel importante na patogênese das doenças do aparelho cardiovascular, e possivelmente a depressão e os transtornos de ansiedade estão intimamente relacionados nesse aspecto. O artigo “Depression, Anxiety, and Arterial Stiffness”, de Adrie Seldenrijk e colaboradores,buscou reforçar essa relação e ainda explorar a associação entre várias características psiquiátricas e o enrijecimento arterial.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Depressão em universitários

Por Igor de Andrade Cardoso Oliveira e Mastroiani Rodrigues Costa Araújo.

A OMS ou WHO (Organização Mundial de Saúde ou World Health Organization) conceitua saúde como um “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social”. A saúde mental é uma dos três componentes da saúde geral. Nesse sentido são necessários estudos que investiguem quais seriam os principais gatilhos para o desenvolvimento de transtornos mentais sendo esses de suma importância para o entendimento e, com isso, avanço nas pesquisas na área de prevenção de doenças. Este tema já foi abordado por diversos outros pesquisadores, mas ainda não se chegou a conclusões e resultados suficientes para o bom entendimento da questão.
O artigo “Saúde geral e sintomas depressivos em universitários”, de Adriana Munhos Carneiro e Makilim Nunes Baptista, da Universidade de São Francisco teve como objetivo analisar a relação existente entre transtornos depressivos e atividades acadêmicas baseando-se em trabalhos consagrados publicados por outros autores utilizando a EDEP (Escala de Depressão) e com o QSG-60 (Questionário de Saúde Geral). Analisou-se também se os grupos abordados pela pesquisa variam quanto ao sexo, faixa etária, nível sócio econômico ou histórico de doença mental na família. Portanto, analisou-se basicamente a depressão, seus fatores associados e predisponentes além dos instrumentos existentes para sua medição. Nesse estudo participaram 98 universitários, com idade média de 25,8 anos.