O uso da maconha tem se tornado cada vez mais popular entre
os adolescentes brasileiros. A grande maioria deles influenciados por questões
semelhantes às que fizeram os jovens do início do século XX a consumirem o
cigarro industrializado. Esse crescente uso da maconha por jovens apoiado por
movimentos que buscam a descriminalização da venda, tornou-se assunto de grande
polêmica social e científica. No campo da ciência, muitas questões continuam
sem serem respondidas, dentre elas deve-se destacar às que se referem ao uso
crônico da planta: “Quais são suas reais consequências para o sistema nervoso?”
“Existe relação entre o uso da maconha na adolescência e falhas cognitivas
futuras?”. Para responder essas questões diversas pesquisas têm sido realizadas.
Vários aspectos ainda não puderam ser concluídos, mas já se sabe que o uso da
maconha por adolescentes é sim uma importante questão de saúde pública e deve
receber atenção dos governos.
Recente estudo realizado nos Estados Unidos entitulado Repeated Δ9-Tetrahydrocannabinol Exposure in Adolescent Monkeys:
Persistent Effects Selective for Spatial Working Memory, publicado no American Journal of Psychiatry em Abril de 2014, mostrou que o uso constante de maconha pode
causar alterações na memória de trabalho espacial em adolescentes. No estudo
foram usados sete pares de macacos com 14 a 18 meses de vida (tempo de vida com
alto desenvolvimento cerebral, assim como na adolescência humana) que receberam
doses de THC intravenoso diariamente por 6 meses e tiveram que realizar testes
relacionados a memória. Os resultados foram quantificados e mostram que em
testes de memória espacial, em que os macacos tinham que memorizar a posição de
um objeto mostrado na tela de um computador, o THC teve uma grande influência
negativa no desenvolvimento desse tipo de habilidade. Com isso, o estudo sugere
que o uso de maconha na adolescência pode estar relacionado com alterações
cognitivas de seres humanos na fase adulta, sendo um importante problema de
saúde pública.
