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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Um "rito de passagem" perigoso: consequências psicopatológicas do bullying

Por Ana Clara da Cunha Gomes e Jéssica Ferreira Barbieri

Bullying é um tema que vem despertando cada vez mais o interesse de pais, professores e profissionais da saúde. É um termo usado para qualificar comportamentos

agressivos entre alunos no âmbito escolar e caracteriza-se por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Pode ser dividido em quatro categorias: físico, verbal, relacional e o sexual. Há ainda o cyberbullying, que ocorre através de mensagens e comentários em redes sociais na internet. Nesses casos a vítima é perseguida mesmo fora da escola e muitas vezes os perpetradores do bullying usam o ambiente virtual para se manterem anônimos. Pesquisas mostram indícios de bullying desde 1960, porém era denominado assédio moral (“mobbing”) e caracterizado como agressão coletiva contra outros da mesma espécie.

Pesquisas de intervenção sistemática começaram quando três garotos se suicidaram em um curto intervalo de tempo na Noruega, todos deixando anotações de que tinham sofrido bullying por seus colegas. Desde então, acredita-se que ser vítima de bullying aumenta o risco de depressão, sintomas psicóticos, ideação suicida e tentativas de suicídio, problemas de saúde, de comportamento, emocionais e de rendimento escolar. Ainda assim, é bastante popular a opinião que bullying 'constrói caráter', é um 'rito de passagem' e 'aumenta a resistência' do indivíduo para enfrentar os desafios da vida adulta.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O impacto do uso do computador na saúde mental de jovens adultos

Por Izabela Gomes Guarinon e Joice Coutinho de Alvarenga.

Na atualidade, o desempenho do papel social vem dependendo cada vez mais do uso do computador. Nas escolas, nas universidades, no trabalho a interação com esta ferramenta é imprescindível para o êxito nas atividades diárias, sendo necessária até mesmo na consolidação das relações interpessoais.

Esta grande influência levanta questionamentos acerca dos seus impactos na saúde mental. Ao mesmo tempo que se constitui como uma ampliação das redes sociais e expansão dos limites físicos, o computador (e a internet) podem ser utilizados como uma fuga da realidade, favorecendo a reclusão e o isolamento.

Tal investigação foi o tema do artigo “Computer Use and Stress, Sleep Disturbances, and Symptoms of Depression Among Young Adults”, de Sara Thomée, Annika Härenstam e Mats Hagberg. Eles aplicaram um questionário em jovens adultos selecionados randomicamente, com idades entre 20 e 24 anos, abordando o padrão de uso de computadores e a percepção destes acerca da sua saúde mental.

De médico e louco... Todo residente tem um pouco

Por Gabriela Agostini, Franciéli Schäffer e Fernanda Menezes.

Sabidamente, a rotina dos estudantes da área da saúde, especialmente os de medicina, é estressante. Muito estudo, faculdade em período integral (o que mantém a maioria dos estudantes dependente dos pais por mais tempo), noites em claro, além de, obviamente, começar a lidar com situações de perda, doença, sofrimento e morte. Até aí, nenhuma novidade. O que pesquisas revelaram recentemente é que o ambiente em que se inserem os estudantes e residentes da área da saúde como um todo favorece a ocorrência dos transtornos mentais comuns (TMC), levando-os a ser um grupo de maior risco de adoecimento mental.
Para entender um pouco melhor o assunto, é preciso explicar o que são os TMC. Na década de 70, Goldberg e Huxley cunharam a expressão “transtornos mentais comuns” para se referir a sintomas como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas. Apesar de, inicialmente, não apresentarem gravidade significativa, os TMC estão relacionados aos transtornos de ansiedade, somatização e depressão sem sintomas psicóticos, podendo ter relação com a incapacidade e a ausência no trabalho.
terça-feira, 4 de junho de 2013

Religião e Saúde Mental


Por Gregório Victor Rodrigues.

A religiosidade é algo que está determinantemente implicada na psicopatologia e na terapêutica dos muitos transtornos. Muitos são os pacientes que relatam suas histórias de sofrimento e culpabilização ou fervor e esperança religiosas. O interesse científico sobre a relação entre religião e psiquiatria é crescente, como mostra o crescimento vertiginoso no número de publicações sobre o assunto.

Número de estudos no site de busca científica PubMed para a pesquisa ‘’religion and health’’.

Percebendo, pois, esse fato e, sob a perspectiva científica, querendo investigar alguma relação subjacente da variável religiosidade, alguns cientistas têm se atentado para a questão. É o caso de Harold G. Koening, eminente médico psiquiatra da Duke University Medical Center, e um dos autores do artigo "Longitudinal Relationships of Religion with Posttreatment Depression Severity in Older Psychiatric Patients: Evidence of Direct and Indirect Effects".