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sábado, 6 de dezembro de 2014

Transtorno de Ansiedade: maior risco de suicídio?

Por Lívia Calastri e Sabline Rodrigues.

O comportamento suicida vem ganhando impulso em termos numéricos e, principalmente, de impacto, sendo que nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos). Tanto que na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte e em indivíduos entre 15 e 44 anos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.

Um dos prováveis motivos para isso é a mudança sociocultural que vem ocorrendo no mundo desde as Revoluções Industriais, exacerbada com o advento da internet e da globalização, as quais causaram grandes alterações no cotidiano das famílias e do indivíduo, trazendo um volume muito maior de informações, oportunidades, benefícios e, ao mesmo tempo, novas responsabilidades, deveres e obrigações.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Um "rito de passagem" perigoso: consequências psicopatológicas do bullying

Por Ana Clara da Cunha Gomes e Jéssica Ferreira Barbieri

Bullying é um tema que vem despertando cada vez mais o interesse de pais, professores e profissionais da saúde. É um termo usado para qualificar comportamentos

agressivos entre alunos no âmbito escolar e caracteriza-se por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Pode ser dividido em quatro categorias: físico, verbal, relacional e o sexual. Há ainda o cyberbullying, que ocorre através de mensagens e comentários em redes sociais na internet. Nesses casos a vítima é perseguida mesmo fora da escola e muitas vezes os perpetradores do bullying usam o ambiente virtual para se manterem anônimos. Pesquisas mostram indícios de bullying desde 1960, porém era denominado assédio moral (“mobbing”) e caracterizado como agressão coletiva contra outros da mesma espécie.

Pesquisas de intervenção sistemática começaram quando três garotos se suicidaram em um curto intervalo de tempo na Noruega, todos deixando anotações de que tinham sofrido bullying por seus colegas. Desde então, acredita-se que ser vítima de bullying aumenta o risco de depressão, sintomas psicóticos, ideação suicida e tentativas de suicídio, problemas de saúde, de comportamento, emocionais e de rendimento escolar. Ainda assim, é bastante popular a opinião que bullying 'constrói caráter', é um 'rito de passagem' e 'aumenta a resistência' do indivíduo para enfrentar os desafios da vida adulta.
terça-feira, 25 de novembro de 2014

Poucas palavras podem dizer muito. Fobia social ou transtorno do espectro autista?

Por Andrigo Neves e Silva Lopes de Saldanha e Ayrton de Castro.

Tem sido sugerida uma ligação entre transtornos do espectro do autismo (TEA) e transtornos de ansiedade. Indivíduos com transtorno do espectro do autismo (TEA) apresentam altas taxas de co-morbidade psiquiátrica. Crianças e adolescentes com Síndrome de Asperger (um dos transtornos do espectro autista) parecem ser particularmente propensas a desenvolver fobia social. Muitas das crianças com TEA experimentam repetidos episódios de rejeição o que pode resultar em comportamento de evitação e fobia social. Retraimento e isolamento em situações sociais são freqüentemente observados em pessoas com fobia social, entretanto e estes comportamentos também são comuns em transtornos do espectro autista. Tais semelhanças podem dificultar o diagnóstico de um quadro de transtorno do espectro autista, resultando em diagnósticos demasiadamente freqüentes de fobia social e, por outro lado, em atrasos na detecção do TEA.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013

De médico e louco... Todo residente tem um pouco

Por Gabriela Agostini, Franciéli Schäffer e Fernanda Menezes.

Sabidamente, a rotina dos estudantes da área da saúde, especialmente os de medicina, é estressante. Muito estudo, faculdade em período integral (o que mantém a maioria dos estudantes dependente dos pais por mais tempo), noites em claro, além de, obviamente, começar a lidar com situações de perda, doença, sofrimento e morte. Até aí, nenhuma novidade. O que pesquisas revelaram recentemente é que o ambiente em que se inserem os estudantes e residentes da área da saúde como um todo favorece a ocorrência dos transtornos mentais comuns (TMC), levando-os a ser um grupo de maior risco de adoecimento mental.
Para entender um pouco melhor o assunto, é preciso explicar o que são os TMC. Na década de 70, Goldberg e Huxley cunharam a expressão “transtornos mentais comuns” para se referir a sintomas como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas. Apesar de, inicialmente, não apresentarem gravidade significativa, os TMC estão relacionados aos transtornos de ansiedade, somatização e depressão sem sintomas psicóticos, podendo ter relação com a incapacidade e a ausência no trabalho.
segunda-feira, 3 de junho de 2013

O impacto psicológico da criança sobrevivente do câncer e de seus familiares

Por Daniel Palmer Caldeira Mendes e Daniela Carolina El-corab Vasconcelos.


           O advento de novas tecnologias proporciona muitos benefícios na medicina, dentre outros, técnicas cirúrgicas mais precisas e seguras, novos medicamentos e a probabilidade de sobrevivência ao câncer. A partir da década de 1960, constata-se um crescente aumento no número de sobreviventes ao câncer na infância. Estudos, porém, têm revelado uma maior incidência do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em crianças que conseguiram sobreviver a essa experiência.
           O TEPT caracteriza-se por um estado em que logo após uma experiência aversiva, o indivíduo entra em um estado de desintegração psicológica, no qual pouco sente ou reconhece da ameaça representada pelo trauma. Ou seja, negação e entorpecimento caracterizam sua condição. O TEPT apresenta duas características principais, que são o evento traumático, definido como "exposição a um evento que envolva a ocorrência ou a ameaça consistente de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, associada a uma resposta intensa de medo, desamparo, ou horror” e as três dimensões de sintomas que se desenvolvem a partir desse evento, ou seja: a) o evento traumático é persistentemente revivido (ex.: pesadelos, recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas); b) esquiva persistente de estímulos associados ao trauma e entorpecimento da responsividade geral; e c) sintomas persistentes de excitabilidade aumentada, incluindo hipervigilância, dificuldades de concentração e irritabilidade.

Depressão e ansiedade podem estar relacionadas ao desenvolvimento de aterosclerose

Por Fellype Borges e Hary Kalapothakis Gissoni

As doenças cardiovasculares constituem em conjunto a principal causa de mortes em países de média e alta renda. Diversos fatores estão relacionados com a origem de tais doenças, correspondendo a uma associação do ambiente e da expressão genômica. A perda da complacência arterial tem papel importante na patogênese das doenças do aparelho cardiovascular, e possivelmente a depressão e os transtornos de ansiedade estão intimamente relacionados nesse aspecto. O artigo “Depression, Anxiety, and Arterial Stiffness”, de Adrie Seldenrijk e colaboradores,buscou reforçar essa relação e ainda explorar a associação entre várias características psiquiátricas e o enrijecimento arterial.